O Envelhecer … é difícil!

O Envelhecer … é difícil!

Dra. Joana D´Arc Figueira

“Envelhecer é… difícil…

Nas décadas de 70/80 havia um modismo de colecionar figurinhas, cujo tema era “amar é…”, eu era menina e achava romântico, criativo e engraçado…

Por isso, nessa toada passaram -se quase 5 décadas, aí me dou conta que, com ou sem poema, ou lirismo, vejo-me a caminho dos 60…

Não é fácil, mas também não é tão difícil.

Não é bom, mas também não é tão ruim, simplesmente é.

E aí?

Conquistei a vida bem próxima daquilo que planejei…

Depois dos 40 temos a certeza da curva descendente, mas nada assustador, pois a passagem foi tão tranquila que nem abateu-me o “entrar nos enta…”

Tenho o merecimento de uma genética forte: africanos/índios e portugueses, a qual favoreceu as nuances da decrepitude…

Sim, as rugas, cabelos brancos, pele flácida, não foi e nem está  tão gritante, creio que está dentro de uma normalidade de quem, dentro das suas possibilidades, se cuidou.

Esse é o segredo? Talvez.

Creio que foi o meu.

Faço exercícios físicos, ininterruptamente, desde os 20 anos, hidratantes, bons  cremes, acompanhamento com geriatra e ginecologista, vitaminas, trabalho árduo e edificante, conquistas difíceis (mas factíveis), estudo, engajamento espiritual, social, político e ambiental…

Receita infalível?

Não sei, mas foi e é a minha.

Felicidade plena? Claro que não!

Envelhecer é difícil…

Maior medo? Não me reconhecer no espelho, não ter saúde para reconhecer-me…

Mas, como o meu eu interior é o verdadeiro “eu”, quanto mais trabalho edificantes e boas práticas,  mais brilha uma mulher infinitamente viva, de muitas vidas, em constante aprendizado.

Enfim, eu aplico o bom senso, envelhecer com a coerência de cada década…

Para mim, o cuidar-se física, mental, cultural, espiritual, não necessariamente nessa ordem, é fundamental e imprescindível à minha sobrevivência.

Sem me privar, mas respeitando os meus limites, impostos ou naturais, são os meus.

Optei por não casar, não ter filhos…

Fácil? Não, a sociedade cobra se você não tem seus propósitos firmes e definidos.

FOI A MINHA OPÇÃO!

Mas, quem vai cuidar de você na velhice?!?!?

Quem disse que todos os filhos ou familiares cuidam dos seus idosos?

Doce ilusão…

Trabalho com idosos institucionalizados há mais de 10 anos e, sei da realidade da ausência e omissão de familiares…

Como ativista social, tarefeira da seara do bem, desenvolvo práticas de socialização e cultura especiais, pois sei que políticas públicas ou privadas, acessível a todos, mais eficazes em pré envelhecimento, autonomia e auto-estima, em todas as idades, ajudará muito ao bem envelhecer.  

O ideal é que não falte saúde, nem tampouco amor próprio, o resto, tiramos de letra.

É fácil?

Que nada…mas é possível!

Sendo assim, envelheçamos, desde sempre, com força e com vontade de bem viver, vivendo bem consigo e com os outros.

Dra. Joana D´Arc Figueira

Advogada, Publicitária, Ativista sócio, política e ambiental

Instagram @joanadfigueira

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